Brasão da Universidade Federal de Alagoas

Universidade Federal de Alagoas

Instituto de Computação

Programa de Pós-Graduação em Informática

Curso: Mestrado em Informática

Disciplina: Machine Learning

CRISP-DM — APLICAÇÃO AO PROJETO

PROJETO: DETECÇÃO AVANÇADA DE MÍDIAS SINTÉTICAS EM VÍDEOS MEDIANTE ANÁLISE DE COMPLEXIDADE-ENTROPIA

LINHA DE PESQUISA: COMPUTAÇÃO VISUAL E INTELIGENTE

TEMA DE PESQUISA: VISÃO COMPUTACIONAL: ANÁLISE, CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DE PADRÕES DINÂMICOS E ESTRUTURAIS EM MÍDIAS SINTÉTICAS

ESTUDANTE: FÁBIO LINHARES*

ORIENTADORA: PROF.ª Dr.ª FABIANE DA SILVA QUEIROZ

* Advogado; Graduado em Banco de Dados, Big Data e BI; Especialista em IA e Machine Learning.

Sumário

  1. Introdução breve ao CRISP-DM
  2. Aderência ao CRISP-DM no projeto
  3. 1. Compreensão do Negócio
  4. 2. Compreensão dos Dados
  5. 3. Preparação dos Dados
  6. 4. Modelagem
  7. 5. Avaliação
  8. 6. Implantação

CRISP-DM: Breve Introdução

O CRISP-DM (Cross-Industry Standard Process for Data Mining) é um processo padronizado e iterativo para condução de projetos de ciência de dados. Ele organiza o trabalho em seis fases: Compreensão do Negócio, Compreensão dos Dados, Preparação dos Dados, Modelagem, Avaliação e Implantação. O ciclo é não-linear e prevê voltas entre fases, permitindo que descobertas em etapas posteriores refinem requisitos e decisões iniciais. Nesta página, aplicamos o CRISP-DM ao projeto de detecção de mídias sintéticas em vídeos, enfatizando alinhamento científico, reprodutibilidade e interpretabilidade (DataScience-PM, 2025).

📋 Nota metodológica

Para os fins desta entrega, preservamos a estrutura solicitada do CRISP-DM, acrescida, nas etapas pertinentes, de decisões metodológicas e fundamentações teóricas alinhadas ao nosso projeto de pesquisa.”

METODOLOGIA

O projeto foi (re)estruturado para seguir o CRISP-DM de forma prática e verificável. Abaixo, destacamos princípios operacionais e os artefatos esperados em cada fase, garantindo (ou tentando, ao menos) rastreabilidade, reprodutibilidade e ciclos iterativos curtos.

Princípios de aderência

  • Ciclos iterativos: revisões planejadas ao final de cada fase com critérios de saída (DoD).
  • Rastreabilidade: decisões e experimentos versionados (dados, código e modelos).
  • Reprodutibilidade: pipelines declarativos e seeds fixas nos experimentos.
  • Generalização: separação estrita entre bases (treino/validação/teste) e teste zero-shot.
  • Interpretabilidade: métricas e visualizações que expliquem o “como” e o “porquê”.

1) Compreensão do Negócio

  • Objetivos científicos mensuráveis (validação das hipóteses H1-H3).
  • Métricas de sucesso: AUC-ROC > 0.90, EER < 5%, generalização cross-dataset.
  • Critério de saída: problema científico bem definido e escopo fechado.

2) Compreensão dos Dados

  • Análise exploratória de FF++ e Celeb-DF v2 (distribuições, qualidade).
  • Mapeamento de técnicas de manipulação e características dos datasets.
  • Critério de saída: adequação dos dados às hipóteses de pesquisa confirmada.

3) Preparação dos Dados

  • Pipeline de extração/alinhamento facial e normalização padronizada.
  • Construção de séries temporais para análise de complexidade-entropia.
  • Critério de saída: dados processados e splits científicos validados.

4) Modelagem

  • Implementação do Plano CH e pipeline ViT com fusão híbrida.
  • Baselines rigorosos para comparação científica.
  • Critério de saída: modelos reprodutíveis com melhoria teórica demonstrada.

5) Avaliação

  • Protocolo científico com testes de significância estatística.
  • Análise de robustez, generalização e interpretabilidade.
  • Critério de saída: hipóteses validadas/refutadas com evidências sólidas.

6) Implantação

  • Framework científico reprodutível e código aberto.
  • Documentação completa para replicação e extensão da pesquisa.
  • Critério de saída: contribuição científica validada e disponibilizada.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: O PRINCÍPIO DE TUDO

A revisão sistemática da literatura (RSL) constitui o alicerce metodológico do projeto, fornecendo o mapeamento científico necessário para identificar lacunas, estabelecer o estado da arte e fundamentar as hipóteses de pesquisa. Utilizando o protocolo PICOC (Population, Intervention, Comparison, Outcomes, Context), a revisão em andamento já permitiu identificar tendências, limitações e oportunidades na detecção de mídias sintéticas.

Este trabalho preliminar de revisão não apenas orienta as decisões metodológicas e técnicas do projeto, mas também assegura que a proposta se posicione adequadamente no contexto científico atual. A análise qualitativa dos trabalhos selecionados revelou padrões importantes: enquanto a maioria dos estudos se concentra em abordagens empíricas baseadas em artefatos visuais, poucos exploram fundamentos teóricos da análise de sistemas dinâmicos para caracterização de mídias sintéticas.

🧭 PICOC — Mapeamento da Revisão

Population/Problem: mídias sintéticas (imagens/vídeos) geradas por GANs e difusão; faces humanas.

Intervention: análise de complexidade‑entropia (entropia de permutação, Plano CH) e fusão com ViT.

Comparison: CNNs/Vision Transformers puros, análise de artefatos/frequência.

Outcomes: AUC‑ROC, EER, robustez (compressão/ruído), generalização cross‑dataset, interpretabilidade.

Context: segurança da informação, forense digital, mitigação de desinformação.

🗂️ Datasets adicionais (imagens)

  • AI Generated Images — High Quality (Kaggle): imagens IA realistas para testes de robustez.
  • Deepfake and Real Images (Kaggle): binário real vs. fake para avaliação cruzada.

Uso: complementar a avaliação com dados de imagens estáticas e medir transferência.

📚 Bases bibliográficas consultadas

Web of Science, IEEE Xplore, Scopus e ScienceDirect foram usadas para a RSL (PICOC), com critérios de qualidade e reprodutibilidade.

1. COMPREENSÃO DO "NEGÓCIO"

A disseminação de mídias sintéticas, especialmente vídeos manipulados por técnicas de deepfake, representa um desafio estratégico para a segurança digital, a integridade da informação e a confiança em ambientes virtuais. O problema transcende a esfera técnica: envolve impactos sociais, políticos e econômicos, já que conteúdos manipulados podem ser usados para fins de desinformação, difamação e manipulação de opinião pública.

O projeto busca responder a essa demanda crítica por meio do desenvolvimento de um detector de deepfakes baseado em fundamentos da Teoria da Informação e da Análise de Sistemas Dinâmicos Complexos. Diferentemente de abordagens puramente empíricas, a proposta se ancora em princípios teóricos sólidos, buscando conciliar robustez estatística, interpretabilidade e generalização para métodos de manipulação ainda não observados.

🎯 Objetivo Geral

Desenvolver e validar um framework híbrido e generalizável para a detecção de vídeos sintéticos (criados ou alterados por Inteligência Artificial), fundamentado na sinergia entre a análise de complexidade estatística (Plano CH) e a extração de features de aprendizado profundo (ViT).

🔹 Objetivos Específicos

  • Implementar pipeline para extração das coordenadas (H,C) do Plano CH com análise de sensibilidade aos parâmetros de embedding (dx, dy).
  • Mapear e caracterizar as assinaturas de complexidade de vídeos reais e falsos (FF++, Celeb-DF), validando a Hipótese de Separação.
  • Avaliar a robustez de (H,C) frente a perturbações: compressão, ruído e iluminação.
  • Construir, treinar e validar um modelo híbrido que combine FCH e FViT, comparando contra um baseline FViT-only.
  • Fornecer explicações sobre os mecanismos de detecção, destacando interpretabilidade.

🔬 Hipóteses de Pesquisa

  • H1 — Separação: reais vs. sintéticos ocupam regiões separáveis no Plano CH.
  • H2 — Eficiência: FCH é estimador mais eficiente da classe do que features baseadas em artefatos.
  • H3 — Sinergia: Fusão FCH + FViT supera baselines em acurácia e generalização.

2. COMPREENSÃO DOS DADOS

A pesquisa fará uso de conjuntos de dados de referência amplamente empregados na literatura:

📊 FaceForensics++ (FF++)

Utilizado como base de treinamento e validação. Este dataset contém vídeos originais e suas versões manipuladas por diferentes técnicas (Deepfakes, Face2Face, FaceSwap e NeuralTextures), além de variantes em múltiplos níveis de compressão.

🎯 Celeb-DF v2

Empregado como conjunto de teste para avaliação de generalização. Considerado mais desafiador, este dataset apresenta manipulações sutis que escapam a detectores convencionais.

Os dados consistem em vídeos digitais contendo faces humanas, de onde serão extraídos frames individuais e subsequentes representações temporais. Cada frame será tratado como unidade básica para extração de atributos, mas a análise considerará também a dimensão temporal das sequências, uma vez que inconsistências sutis emergem apenas ao longo do tempo.

3. PREPARAÇÃO DOS DADOS

A preparação envolve múltiplas etapas de pré-processamento:

  • Extração de frames a partir dos vídeos, garantindo diversidade de amostras representativas.
  • Detecção e alinhamento de faces, assegurando comparabilidade entre quadros distintos.
  • Conversão para escala de cinza, reduzindo redundâncias e focando na estrutura estatística da imagem.
  • Normalização e segmentação temporal, preparando os dados para análises sequenciais.
  • Construção das séries temporais de padrões ordinais, a partir das quais serão estimadas medidas de entropia de permutação e complexidade estatística.

Nesta etapa também se definirá a divisão entre conjuntos de treinamento, validação e teste, preservando a independência entre as bases para garantir avaliação confiável.

🔧 Ambiente de Desenvolvimento

Python (Anaconda). Núcleo: numpy, pandas, scikit‑learn, matplotlib/jupyter. Deep Learning: PyTorch/torchvision (CUDA opcional). Visão: OpenCV, Pillow. Modelos: timm/transformers. Teoria da Informação: ordpy. Classificação tabular/visualização: xgboost, lightgbm, seaborn, plotly.

📈 Governança de Dados e Experimentos

  • Seeds fixas, splits reprodutíveis e versionamento de datasets/processamentos.
  • Rastreio de experimentos e hiperparâmetros; logs de métricas e artefatos.

4. MODELAGEM

A modelagem será realizada em dois eixos complementares:

Pipeline de Análise de Complexidade-Entropia (FCH)

  • Implementação do Plano Complexidade-Entropia (Plano CH) em cada frame, gerando vetores bidimensionais [H, C].
  • Estudo de sensibilidade quanto aos parâmetros de embedding (dx, dy), de modo a maximizar a separabilidade entre classes (real vs. sintética).
  • Produção de um espaço de assinaturas dinâmicas, interpretável e fundamentado teoricamente.

Pipeline de Extração por Aprendizado Profundo (FViT)

  • Utilização de um Vision Transformer (ViT) pré-treinado como extrator de características globais.
  • Geração de embeddings latentes de alta dimensão, representando aspectos semânticos e contextuais da imagem.

Modelo Híbrido

  • Combinação dos vetores [H, C] e FViT em um espaço de representação unificado.
  • Aplicação de um classificador baseado em Gradient Boosting (e.g., XGBoost ou LightGBM).
  • Treinamento de um modelo baseline com apenas FViT, possibilitando comparação direta e validação da hipótese de sinergia.

⚖️ Baselines e Comparações

Baseline FViT-only, comparação com CNNs/ViTs da literatura; ablações sobre parâmetros do Plano CH e fusões.

🧪 Versionamento de Experimentos

Registro de configurações, seeds, checkpoints e métricas para reprodutibilidade e auditoria científica.

5. AVALIAÇÃO

A avaliação seguirá protocolo rigoroso, com múltiplas métricas:

  • Primárias: AUC-ROC e Equal Error Rate (EER), com foco na capacidade discriminativa.
  • Secundárias: Acurácia, Precisão, Recall e F1-score, para análise complementar.
  • Testes de Robustez: impacto de compressão, ruído e variações de iluminação sobre o desempenho do modelo.
  • Teste de Generalização: avaliação zero-shot no Celeb-DF v2, sem re-treinamento.

Essa etapa também contemplará análise interpretativa dos resultados, buscando compreender não apenas “quanto” o modelo detecta, mas também “como” ele o faz.

📋 QA da Literatura (RSL)

Critérios: métricas claras, uso de datasets públicos, comparação com baselines, robustez, reprodutibilidade, discussão de limitações e clareza de objetivos. Estatísticas preliminares: 10/10 aprovados; média 5,8/8; melhor desempenho em métricas/objetivos; necessidade de maior discussão de limitações.

Detalhes e artefatos: Relatório executivo · Resultados QA · Índice de artigos

📈 Resultados Esperados

  • Validação empírica das hipóteses centrais (H1–H3).
  • Framework híbrido inovador e interpretável.
  • Generalização superior em dados não vistos (zero‑shot).
  • Publicações científicas e código aberto.

6. IMPLANTAÇÃO

Embora o projeto esteja em fase acadêmica, a etapa de implantação prevê a entrega de um framework híbrido de detecção, com potencial de adaptação a diferentes contextos de aplicação:

  • Forense digital: autenticação de provas em investigações.
  • Plataformas de mídia: detecção de manipulações em vídeos compartilhados online.
  • Pesquisa científica: disponibilização de ferramentas e datasets processados para a comunidade.

As limitações previstas incluem a necessidade de infraestrutura computacional adequada, o desafio de acompanhar a rápida evolução das técnicas de geração de mídia sintética e a constante atualização frente a novos datasets.

🗓️ Cronograma (24 meses)

  • Fase 1 (1–6): RSL, ambiente, implementação dos pipelines FCH e FViT.
  • Fase 2 (7–12): extração de features (FF++/Celeb‑DF), sensibilidade e validação da H1.
  • Fase 3 (13–18): modelo híbrido e baseline; otimização; validação de H2/H3.
  • Fase 4 (19–24): protocolo final, testes de generalização/robustez e dissertação.

🚀 Entrega e Código Aberto

Entrega de framework híbrido (batch/API) com documentação e repositório público para reprodutibilidade.

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